Os últimos anos têm sido marcados por um avanço rápido da inteligência artificial, o que tem transformado diversas áreas, sobretudo, o mercado de trabalho e a educação. Duas mudanças são fundamentais para entender os impactos da IA no mundo moderno: a possibilidade de automatizar tarefas repetitivas e o acesso ao conhecimento a partir de poucos cliques. Isso reforça a ideia de que uma educação focada na memorização de conteúdos está defasada e que as profissões do futuro — e do presente — serão diferentes daquilo que conhecemos. Mas engana-se quem vê o cenário de forma pessimista: trata-se, na verdade, de um momento que marca a transição da forma como utilizamos a tecnologia. Sai de cena o consumo puro e simples, e entra o uso das novas ferramentas para a ampliação do potencial humano.
Isso porque a tecnologia não vai nos “substituir”. Há habilidades que a máquina não pode replicar, como empatia, criatividade e liderança. São as chamadas soft skills, que se tornaram o principal ativo do século 21. Desta forma, o que a tecnologia traz é, na verdade, a possibilidade de facilitar tarefas técnicas e garantir mais tempo para que nos dediquemos àquilo que é essencialmente humano, como pensar em soluções criativas para os problemas modernos. As novas ferramentas atuam como aliadas — mas, para isso, é claro, há desafios.
Como usar a tecnologia de forma consciente
O primeiro ponto é que, para que a tecnologia de fato se torne uma ferramenta que amplia as nossas capacidades essenciais, é preciso que haja um preparo para seu uso ético e criativo. É aí que entra o que chamamos de educação midiática, que consiste no desenvolvimento das habilidades para um uso crítico e consciente das ferramentas digitais.
Isso significa, por exemplo, saber identificar notícias falsas, diferenciar fato de opinião, reconhecer que a inteligência artificial não é neutra (ou seja, pode ser enviesada) e até mesmo aprender a produzir conteúdo de forma responsável.
Para que isso seja possível, a parceria entre família e escola é muito importante. Tanto em sala de aula quanto dentro de casa, é importante que crianças e jovens tenham referências para desenvolver o senso crítico em relação às tecnologias digitais.
No caso das famílias, é preciso orientar e mediar para um uso equilibrado das ferramentas. Acompanhar a vida digital do filho é fundamental tanto para a segurança dele (por exemplo, filtrando conteúdos e prevenindo o cyberbullying) quanto para prepará-lo para o uso autônomo da tecnologia no futuro.
Na escola, crianças e jovens devem ter a oportunidade de usar os recursos tecnológicos de forma criativa, com foco na resolução de problemas. Desenvolver o pensamento computacional e compreender os impactos da tecnologia na sociedade, por exemplo, são pontos fundamentais.
O que as famílias podem fazer:
- No caso específico da inteligência artificial, é importante que crianças e jovens aprendam a fazer as perguntas certas e analisar criticamente as respostas geradas. Para isso, converse sobre a ferramenta com seus filhos, mostre possibilidades de uso e explore o recurso junto com eles. Lembre-se de reforçar que a IA não deve substituir o esforço próprio — por exemplo, na realização de tarefas escolares.
- Forme protagonistas: é importante que o uso da tecnologia não seja passivo — por exemplo, com o mero consumo de redes sociais ou para obter respostas rápidas em chatbots. Mostre que as ferramentas digitais podem ser aliadas para aprender. Você pode, por exemplo, separar algum tempo para usar a internet com seu filho para descobrir algo novo.
- Limites: sabemos que é importante controlar o tempo de tela de crianças e jovens. Por isso, faça esse gerenciamento (sempre com muito diálogo) e incentive atividades offline. É fundamental evitar que haja dependência de telas e/ou do uso da IA.
- Incentive a curiosidade e outras habilidades socioemocionais: se o futuro (e o presente!) são das soft skills, encoraje seu filho a desenvolver essas competências. Estimule o diálogo, incentive a autonomia e valorize cada conquista da criança e do jovem.
- Segurança e privacidade: é fundamental ensinar os filhos que dados pessoais não devem ser compartilhados online, nem mesmo com a IA.
Para além da “bolha” digital
Outro ponto que não deve passar batido é o fato de que os algoritmos das redes sociais funcionam como filtros que tendem a mostrar ao usuário conteúdos semelhantes às suas preferências, experiências e crenças. Embora isso torne a navegação mais personalizada, também pode limitar o acesso a diferentes pontos de vista, criando uma percepção restrita da realidade — o que chamamos de “bolha”.
Por isso, é fundamental que, tanto em casa quanto na escola, crianças e jovens sejam incentivados a usar a internet de forma mais intencional: explorando diferentes fontes, culturas e contextos. Quando bem orientado, o ambiente digital pode, inclusive, superar barreiras como a distância física e ampliar o repertório dos estudantes, contribuindo para uma visão de mundo mais crítica e diversa.
Com o uso correto, a tecnologia pode ampliar as possibilidades e atuar como parceira em diversas frentes. E é por meio da educação digital e do desenvolvimento do pensamento crítico que podemos alcançar esse objetivo.
UNOi é um projeto educacional que integra capacidades cognitivas e socioemocionais, fortalecendo talentos para que crianças e jovens sejam curiosos, criativos e autênticos.