“Por que o céu é azul?”
“Por que a água é molhada?”
“Por que chove?”
“Onde termina o céu?”
Se você convive com crianças, mais cedo ou mais tarde, vai passar – ou já passou – pela fase dos porquês e das perguntas, de modo geral. Apesar de parecer um período interminável, esse, na verdade, é um momento maravilhoso, pois é uma etapa natural do desenvolvimento humano, na qual os pequenos estão explorando o mundo e construindo conhecimento.
Fazer perguntas é uma parte fundamental do desenvolvimento cognitivo das crianças. Quando incentivamos os pequenos a questionar sobre o mundo ao seu redor, estamos estimulando inúmeras habilidades, como o pensamento crítico, o raciocínio lógico e a criatividade. Cada “por quê?”, “como?” ou “onde?” é uma oportunidade de aprendizado e descoberta, inclusive para a família.
Ah, e tão importante quanto perguntar é responder! Evitar respostas vagas ou simples demais, como o famoso “porque sim, Zequinha” – frase icônica do seriado Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura –, faz toda a diferença para a criançada. Não é necessário dar explicações complexas, mas acolher as perguntas com paciência e respondê-las de forma que façam sentido para os pequenos é essencial.
O legal – e mais recomendado – é aproveitar cada questionamento dos filhos para explorar novas ideias, despertar a curiosidade e ensiná-los de uma forma única e significativa. Afinal, aprender pode – e deve! – ser uma jornada cheia de diversão.
Mas como manter um ambiente que estimule as crianças a fazer perguntas, mesmo depois que a fase dos “porquês” fica para trás? A seguir, nós te damos algumas dicas. Confira!
1. Valorize as perguntas – e a busca por novas soluções também!
Em vez de simplesmente dar respostas prontas, que tal transformar as perguntas das crianças em oportunidades de explorar diferentes possibilidades? Uma forma interessante de instigar a curiosidade e a criatividade dos pequenos é respondê-los com novas perguntas, como:
- O que você acha?
- Como podemos descobrir isso juntos?
- O que aconteceria se fosse diferente?
- E se tentássemos de outra maneira?
Essa abordagem incentiva a criançada a refletir, testar hipóteses e buscar suas próprias respostas, tornando o processo de aprendizado muito mais dinâmico e, acima de tudo, divertido!
2. Promova debates em família
Uma ótima forma de incentivar as crianças a questionar é trazer temas do cotidiano para as conversas em família. Notícias, curiosidades, histórias e até mesmo assuntos do interesse dos pequenos, como esportes, filmes, séries e games, por exemplo, são excelentes para iniciar um debate e incentivá-los a expressar suas opiniões e argumentar com base em fatos.
3. Estimule o raciocínio enquanto se divertem
Jogos são uma excelente maneira de exercitar a mente, promover momentos de diversão em família, estimular a curiosidade e ajudar no desenvolvimento cognitivo das crianças. Aposte em brincadeiras que incentivem o pensamento lógico, a criatividade e a tomada de decisões.
Jogos recomendados:
- Mímica: ideal para estimular a criatividade e a expressão corporal.
- Imagem & Ação: incentiva a expressão artística e a interpretação.
- Gartic: jogo on-line de adivinhação com desenhos.
- Quebra-cabeças: estimula paciência, concentração e resolução de problemas.
- Xadrez ou damas: desenvolve raciocínio estratégico.
- Detetive: ótimo para o pensamento lógico.
- 20 perguntas (Quem sou eu?): desafio de adivinhação com perguntas.
- Jogo da memória: exercita concentração e atenção.
4. Exercite a imaginação
Se existe algo em que os seres humanos são especialistas, certamente é na arte de criar diferentes cenários e possibilidades, não é mesmo?! Então, por que não usar essa habilidade para incentivar as crianças a pensarem fora da caixa?
Perguntas criativas para estimular a imaginação:
- Como seria um mundo onde os animais falassem?
- E se a eletricidade nunca tivesse sido inventada?
- Se você pudesse viajar no tempo, para onde iria?
Além de estimular a criatividade, esse tipo de questionamento pode desencadear uma maratona de novas perguntas e todas elas podem ser respondidas com muita criatividade e bom humor.
5. Seja um bom exemplo
No início deste texto, falamos sobre a fase dos porquês, uma etapa natural da primeira infância em que os pequenos chegam a fazer cerca de 300 perguntas por dia. Apesar de ser uma etapa muito divertida e repleta de descobertas, em algum momento os “por que isso?” e “por que aquilo?” diminuem bastante.
No entanto, a curiosidade e a capacidade de fazer questionamentos é algo intrínseco ao ser humano e deve ser cultivada ao longo de toda a vida. Por isso, mamãe, papai e/ou responsável, demonstre interesse pelo aprendizado contínuo e pela busca por respostas. Mostre aos seus filhos que questionar o mundo ao redor é algo extremamente valioso e necessário.
Criar um espaço onde a curiosidade e os questionamentos sejam valorizados, encorajando os pequenos a buscarem por respostas de forma criativa, faz toda a diferença no desenvolvimento cognitivo das crianças. Além de fortalecer, dentre outras habilidades, a criatividade e o pensamento crítico, incentivar as perguntas e a reflexão também estimula a autonomia, a confiança e a capacidade de resolver problemas de forma independente.
E vale lembrar: assim como o aprendizado não tem idade, a curiosidade e a busca por respostas também não. Quando cultivamos a capacidade de questionar, refletir e imaginar, preparamos as crianças – e nós mesmos – para um mundo em constante transformação.